A transição no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense ganhou contornos financeiros na posse de Odorico Roman, nesta segunda-feira. O ex-presidente Alberto Guerra entregou não só o cargo, mas um pacote de R$ 241 milhões em receitas projetadas para os próximos anos. Números que soam como alívio em meio à crise, mas que, na visão crítica, expõem fragilidades crônicas: dependência de apostas e vendas apressadas de ativos. Abaixo vamos detalhar os pontos e questionar: será salvação ou ilusão?
Transição sob Escrutínio: O Que Guerra Deixou?
Guerra listou fontes variadas durante o evento. Dos R$ 241 milhões:
- R$ 72 milhões vêm de direitos de transmissão para os Brasileirões de 2025 e 2026 – incluindo R$ 5 milhões bloqueados pelo Flamengo;
- R$ 20 milhões por performance em 2025, mais R$ 5 milhões de audiência;
- R$ 42 milhões fixos para 2026, adiantáveis;
- R$ 73 milhões de um investidor na Libra, por 5% dos direitos de TV tricolores em 14 anos.
Crítica à parte, essa herança ignora o vácuo no patrocínio máster. Guerra rescindiu com a Alfa Bet por atrasos em três parcelas, deixando 2026 sem respaldo. A Energia Bet salvou só os dois jogos finais. Semana passada, uma nova “bet” ofereceu R$ 53 milhões anuais – acima dos R$ 50 milhões prometidos pela Alfa. Mas e se a Justiça cobrar os R$ 12 milhões atrasados? Acordo judicial pende, e o risco de litígio drena energia.
Jogadores na Berlim: Vendas como Escape Rápido?
Dois atacantes da base agitam o mercado. O Aston Villa, da Premier League, mirava Alysson – cria do clube, 22 anos – com €10 milhões fixos (R$ 63,2 milhões) mais €2,5 milhões em bônus (R$ 15,8 milhões). Já o Göztepe, da Turquia, propõe €2 milhões (R$ 12,6 milhões) por André Henrique. Total: €12 milhões fixos, somando R$ 75,8 milhões.
Aqui, a crítica pesa. Vender joias por valores modestos reforça o ciclo vicioso do Grêmio: exportar talentos sem contrapartidas esportivas. Alysson, com potencial europeu, poderia render mais em leilão aberto. André Henrique? Uma pechincha turca que cheira a desespero. Roman herda chance de negociar melhor, mas o histórico de saídas precipitadas assombra.
Arena em Foco: Entre Shows e Bilheteria
A Arena Porto Alegre brilha nas projeções. Duas ticketeiras disputam gestão de ingressos, com luvas de R$ 7-8 milhões em patrocínio e adiantamentos de bilheteria entre R$ 12-25 milhões – dependendo da escolhida. Ademais, um show do Rush em 21 de janeiro de 2027 promete R$ 900 mil fixos, podendo escalar a R$ 1,5 milhão com catering, estacionamento e camarotes.
Otimista? Sim, mas crítico: ceder o estádio a uma banda de rock canadense em pleno calendário gaúcho ignora o DNA tricolor. E as ticketeiras? Riscos de monopólio em vendas online podem alienar torcedores fiéis, que já reclamam de preços altos. Guerra acertou em diversificar, mas Roman precisa blindar a Arena como patrimônio, não como caixa eletrônico.
Desafios para Roman: Oportunidades com Asteriscos
Somando tudo – vendas, shows, TV e parcerias –, os R$ 241 milhões pintam um Grêmio respirando. Mas a crítica é inevitável: 40% das receitas giram em torno de “bets” e exportações forçadas, num clube endividado por gestões passadas. Guerra sai limpando a casa, mas deixa Roman com prazos apertados: aprovar o investidor da Libra, fechar a nova bet e evitar que bônus de Alysson evaporem.
Para 2026, o tricolor precisa de visão além do imediato. Investir na base, não só vendê-la. Negociar TV com mais autonomia. E, acima de tudo, reconquistar a torcida com transparência. Senão, esse “tesouro” vira miragem no Beira-Rio.
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