CEO do Grêmio critica: Flamengo quer transformar o Brasileirão em Bundesliga

A disputa política e econômica nos bastidores do futebol brasileiro ganhou um novo capítulo — e palavras duras. O CEO do Grêmio, Alex Leitão, afirmou que o Flamengo trabalha para transformar o Campeonato Brasileiro em uma espécie de Bundesliga, com um clube dominante e títulos concentrados. A declaração, feita em entrevista à GZH, escancara um temor antigo, mas cada vez mais atual: o risco de um campeonato nacional desequilibrado e pouco competitivo.

VEJA TAMBEM: Os 4 pilares do time do Grêmio em 2026

“Ganhar nove de dez”: o alerta feito pelo Grêmio

Para Alex Leitão, a estratégia do Flamengo dentro da Libra — liga que reúne parte dos clubes para negociar direitos de transmissão — é clara. O Rubro-Negro buscaria ampliar ao máximo sua vantagem econômica para se tornar um “Bayern de Munique brasileiro”.

Segundo o dirigente, o objetivo do Flamengo seria legítimo do ponto de vista institucional, mas perigoso para o sistema como um todo. A comparação com a Bundesliga não é casual. O campeonato alemão é frequentemente criticado pela previsibilidade, com domínio quase absoluto do Bayern por mais de uma década.

Libra, dinheiro bloqueado e a guerra fria entre clubes

A fala de Leitão ocorre em meio a um histórico recente de atritos. Em setembro, o Flamengo conseguiu bloquear R$ 83 milhões em verbas de direitos de transmissão da Libra, valor posteriormente revertido em novembro. Ainda assim, R$ 17 milhões permaneceram retidos por decisão judicial, por serem considerados parte do litígio.

O episódio evidenciou o racha interno. O Flamengo discorda dos critérios de divisão de receitas definidos pela Libra, o que gerou embates públicos entre Luiz Eduardo Baptista (Bap), presidente rubro-negro, e Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

A crítica central: falta de articulação dos demais clubes

Mais do que atacar o Flamengo, Leitão mirou nos outros integrantes da Libra. Para ele, o erro está na falta de organização política dos demais clubes para enfrentar a força econômica rubro-negra.

O executivo defende que a única forma de evitar um Brasileirão concentrado é reduzir as diferenças financeiras, por meio de uma distribuição mais equilibrada dos direitos comerciais. Caso contrário, o campeonato corre o risco de perder valor esportivo e comercial.

Liga unificada ou desperdício coletivo?

Com experiência em ligas norte-americanas como a NFL e a MLS, Alex Leitão defende um modelo unificado de venda de direitos. Na visão do CEO do Grêmio, o Brasil perde dinheiro e força política ao manter blocos separados negociando individualmente.

A crítica final é direta, ainda que sem citar nomes: enquanto os clubes brigam entre si, o mercado observa. E, se nada mudar, o Brasileirão pode até arrecadar mais — mas para poucos.

Gostou desta matéria? Siga a gente no Twitter e entre no nosso Grupo do Facebook para acompanhar todas as nossas notícias sempre!

Magdalena Schneider
Magdalena Schneider

Psicóloga por formação, gremista por destino e editoria-chefe do GP News por vocação. Aqui a paixão pelo Grêmio encontra a análise séria. De olho em cada detalhe do nosso Imortal, dos bastidores da Arena às decisões táticas no CT Luiz Carvalho. Acompanhe comigo a jornada rumo às glórias!

Artigos: 422

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *