O futebol brasileiro voltou a conviver com um velho problema que parecia sob controle: o aumento expressivo de lesões. Depois de duas temporadas de relativa estabilidade, o número de baixas médicas cresceu 7% em 2025, reacendendo um debate que vai muito além do azar ou da fatalidade. Dentro desse cenário preocupante, o Grêmio aparece entre os clubes mais afetados, ao lado de Botafogo, Fortaleza, Internacional, Vitória e São Paulo. Um dado que exige reflexão profunda — e autocrítica.
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Grêmio entre os clubes com mais baixas médicas
Com 49 baixas médicas registradas ao longo da temporada, o Grêmio fechou 2025 no mesmo patamar de São Paulo, ocupando a incômoda faixa dos clubes com DM mais cheio da Série A. Em determinado momento do ano, o Tricolor chegou a ter 13 jogadores simultaneamente entregues ao Departamento de Ciência, Saúde e Performance, um número alarmante para qualquer planejamento esportivo minimamente sólido.
Não se trata apenas de quantidade, mas de impacto. O Grêmio perdeu atletas importantes em momentos decisivos e viu o rendimento coletivo oscilar de forma evidente. Rodrigo Ely, por exemplo, foi o jogador que mais desfalcou o clube em 2025, ficando fora de 47 partidas, número que ilustra bem o tamanho do problema.
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Um problema que vai além do acaso
Especialistas em medicina esportiva são unânimes ao apontar que o futebol moderno cobra um preço alto. O calendário apertado, a intensidade dos jogos e a exigência física constante criam um ambiente propício para lesões, especialmente musculares. Não por acaso, a coxa voltou a ser, pelo décimo ano consecutivo, a região mais afetada, com 343 ocorrências em 2025.
No entanto, reduzir o debate apenas ao calendário é insuficiente. Casos como o do Botafogo, que viu suas lesões aumentarem 53% em relação a 2024, mostram que falhas de metodologia, conflitos internos e decisões mal alinhadas entre preparação física e departamento médico podem agravar ainda mais o cenário.
O alerta que ecoa na Arena
No Grêmio, o impacto das lesões expôs fragilidades estruturais. O clube disputou a temporada lidando com ausências recorrentes, improvisações e perda de continuidade tática. A crítica que se impõe é clara: houve falha na prevenção? A ciência esportiva evoluiu, mas ela precisa ser aplicada com rigor, integração e autonomia técnica.
A chegada de Luís Castro abre uma janela de oportunidade. Conhecido por valorizar processos, controle de carga e leitura física detalhada dos atletas, o novo treinador terá papel decisivo para redefinir rotinas e exigir alinhamento entre comissão técnica, preparação física e departamento médico.
Lesão não é detalhe, é projeto
O aumento das contusões em 2025 escancara uma verdade incômoda: quem não trata a saúde do elenco como prioridade estratégica, paga com desempenho. No caso do Grêmio, o alerta já foi dado. Ignorá-lo pode custar caro em 2026.
Mais do que contratar reforços, o desafio passa por manter jogadores disponíveis, algo cada vez mais raro no futebol brasileiro. E, hoje, disponibilidade é tão valiosa quanto talento.
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[…] das quatro linhas. Foram 49 baixas médicas ao longo do ano, número que coloca o Tricolor como o quinto time da Série A com mais desfalques clínicos, empatado com o São Paulo. Mais do que um recorte estatístico, o dado escancara um problema […]