A disputa política e econômica nos bastidores do futebol brasileiro ganhou um novo capítulo — e palavras duras. O CEO do Grêmio, Alex Leitão, afirmou que o Flamengo trabalha para transformar o Campeonato Brasileiro em uma espécie de Bundesliga, com um clube dominante e títulos concentrados. A declaração, feita em entrevista à GZH, escancara um temor antigo, mas cada vez mais atual: o risco de um campeonato nacional desequilibrado e pouco competitivo.
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“Ganhar nove de dez”: o alerta feito pelo Grêmio
Para Alex Leitão, a estratégia do Flamengo dentro da Libra — liga que reúne parte dos clubes para negociar direitos de transmissão — é clara. O Rubro-Negro buscaria ampliar ao máximo sua vantagem econômica para se tornar um “Bayern de Munique brasileiro”.
Segundo o dirigente, o objetivo do Flamengo seria legítimo do ponto de vista institucional, mas perigoso para o sistema como um todo. A comparação com a Bundesliga não é casual. O campeonato alemão é frequentemente criticado pela previsibilidade, com domínio quase absoluto do Bayern por mais de uma década.
Libra, dinheiro bloqueado e a guerra fria entre clubes
A fala de Leitão ocorre em meio a um histórico recente de atritos. Em setembro, o Flamengo conseguiu bloquear R$ 83 milhões em verbas de direitos de transmissão da Libra, valor posteriormente revertido em novembro. Ainda assim, R$ 17 milhões permaneceram retidos por decisão judicial, por serem considerados parte do litígio.
O episódio evidenciou o racha interno. O Flamengo discorda dos critérios de divisão de receitas definidos pela Libra, o que gerou embates públicos entre Luiz Eduardo Baptista (Bap), presidente rubro-negro, e Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
A crítica central: falta de articulação dos demais clubes
Mais do que atacar o Flamengo, Leitão mirou nos outros integrantes da Libra. Para ele, o erro está na falta de organização política dos demais clubes para enfrentar a força econômica rubro-negra.
O executivo defende que a única forma de evitar um Brasileirão concentrado é reduzir as diferenças financeiras, por meio de uma distribuição mais equilibrada dos direitos comerciais. Caso contrário, o campeonato corre o risco de perder valor esportivo e comercial.
Liga unificada ou desperdício coletivo?
Com experiência em ligas norte-americanas como a NFL e a MLS, Alex Leitão defende um modelo unificado de venda de direitos. Na visão do CEO do Grêmio, o Brasil perde dinheiro e força política ao manter blocos separados negociando individualmente.
A crítica final é direta, ainda que sem citar nomes: enquanto os clubes brigam entre si, o mercado observa. E, se nada mudar, o Brasileirão pode até arrecadar mais — mas para poucos.
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