A decisão do Grêmio de contratar a Ernst & Young (EY) para revisar suas finanças carrega mais simbolismo do que parece à primeira vista. Não se trata apenas de uma auditoria técnica, mas de um movimento político e estratégico em meio a uma crise financeira profunda, marcada por dívidas, transfer ban da Fifa e disputas internas sobre números. Quando a mesma consultoria que escancarou rombos históricos em Flamengo e Corinthians entra em cena, o recado é claro: algo precisa ser revelado — e rápido.
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A aposta na EY e o risco da transparência total
Confirmada pelo vice-presidente Eduardo Schumacher, a contratação da EY tem como objetivo identificar o tamanho real da dívida gremista e propor caminhos de recuperação. O prazo do contrato não foi divulgado, o que já gera desconfiança em um ambiente que carece de previsibilidade. Ainda assim, a escolha da empresa não é aleatória.
A EY foi peça-chave na reestruturação do Flamengo a partir de 2013, quando apontou um passivo superior a R$ 750 milhões. Mais tarde, tornou-se auditora externa do clube, em um processo que elevou o padrão de governança no futebol brasileiro. No Corinthians, porém, a experiência foi turbulenta: divergências com a diretoria levaram à rescisão precoce do contrato, embora os relatórios posteriores tenham confirmado um endividamento bilionário.
O histórico da EY sugere um padrão incômodo: ela não suaviza diagnósticos. Para o Grêmio, isso pode significar enfrentar verdades difíceis.
Crise financeira, transfer ban e cobranças externas
O cenário atual é alarmante. O clube está impedido de registrar reforços por decisão da Fifa, em razão de uma dívida de cerca de R$ 7 milhões com o Granada, pela contratação de Arezo. Salários e 13º estão atrasados, enquanto o atacante Braithwaite cobra valores milionários na Justiça.
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A nova gestão, liderada por Odorico Roman e pelo CEO Alex Leitão, busca alternativas emergenciais de receita, como patrocinador máster, naming rights da Arena e troca de ticketeira. Até agora, porém, nada se concretizou.
Dívida real ou disputa de versões?
A gestão anterior, de Alberto Guerra, afirma ter deixado uma dívida de R$ 377 milhões e um potencial de R$ 241 milhões em receitas de curto prazo. A atual direção contesta esses números e diz que negociações importantes, como um patrocínio máster de R$ 53 milhões anuais, simplesmente não existiam.
Esse choque de narrativas reforça a necessidade de uma auditoria independente. Sem números consensuais, não há plano confiável.
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Mais que um diagnóstico, um teste de maturidade
Contratar a EY é um passo relevante, mas insuficiente por si só. O futebol brasileiro já mostrou que conhecer o problema não garante a solução. A pergunta que fica não é quanto o Grêmio deve, mas se o clube está disposto a seguir as recomendações, mesmo que elas sejam impopulares.
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