A nova diretoria do Grêmio prometeu uma era de estabilidade. Mas a venda do meia Alysson, de 20 anos, para um clube da Premier League por R$ 63 milhões líquidos já revela o drama: o dinheiro vai direto para dívidas, não para o gramado. Torcedores tricolores, preparem-se. Essa transação, anunciada nesta terça, ecoa o ciclo vicioso que assombra o clube há anos. É hora de questionar: quando o Imortal vai parar de sangrar seus próprios talentos?
Alysson: Talento Perdido Antes de Brilhar
Alysson chegou à base gremista como uma joia lapidada. Rápido, criativo e com visão de jogo afiada, o meia disputou apenas 15 partidas no profissional – números magros para um potencial estelar. Sua saída para a Inglaterra, negociada em sigilo, injeta caixa imediato no Olímpico. Mas o torcedor fica com o amargo na boca: por que não dar mais minutos a ele? A resposta está nos cofres vazios.
Essa receita lembra a de Marcelo Moreno, que salvou o Grêmio da Série B em 2024 com valor similar. Desta vez, porém, o foco é emergencial. Sem Alysson, o meio-campo perde profundidade. Jogadores como Villasanti e Cristaldo herdam o carga, mas o time já sente o vácuo de inovação.
VEJA TAMBÉM: Grêmio bate o martelo e acerta venda de atacante para gigante da Premier League
Dívidas da FIFA: O Fantasma que Paralisa o Grêmio
O transfer ban imposto pela FIFA é o vilão principal. O clube não pode inscrever reforços até quitar pendências. A maior? US$ 1 milhão pela compra de Santiago Rodríguez, o atacante uruguaio de 2023. Outras feridas abertas incluem:
- US$ 750 mil pelo meia Camilo, do Akhmat Grozny (Rússia), em fase final de cobrança.
- R$ 3 milhões por Wagner Leonardo, zagueiro ex-Corinthians.
- R$ 3,6 milhões de participação do Cascavel na venda de Bitello.
Esses débitos somam mais de R$ 20 milhões. Com Alysson, o Grêmio respira – mas apenas por ora. A diretoria, liderada por Alberto Guerra, prioriza pagamentos para evitar punições maiores, como perda de pontos.
Crítica à Diretoria: Vendas de Jovens como Remédio Amargo
Essa não é novidade. O Grêmio, outrora formador de ídolos como Ronaldinho e Douglas Costa, virou exportadora de emergência. Nos últimos três anos, saíram:
- Bitello (para o Beşiktaş, €10 milhões).
- Ferreirinha (para o Al-Kholood, €8 milhões).
- Nathan Fernandes (empréstimo com opção, €5 milhões).
- Cuiabano, Gustavo Nunes e Kaick (valores menores, mas somados: €15 milhões).
Total: mais de €50 milhões evaporados em erros de gestão. Gastos impulsivos com contratações como Arezo e Douglas Costa (segunda passagem) inflaram a folha sem títulos. A nova gestão fala em “Grêmio Way” – valorização da base e futebol vertical, sob Luís Castro. Mas sem caixa para investir, isso vira retórica vazia.
O torcedor merece mais. Vender Alysson quita contas, mas não constrói legado. Onde está o plano para reter talentos? A recusa recente a uma proposta do Botafogo por um zagueiro mostra seletividade – boa sinal. Mas sem equilíbrio financeiro, o ciclo recomeça.
O Caminho Adiante: Hora de um Reset Verdadeiro
O Grêmio de 2026 precisa de ousadia, não de muletas. Com a pré-temporada rolando (e lesões como a de um lateral já confirmada, sem impacto maior), Castro tem chance de implantar sua visão. Mas sem receitas reinvestidas em scouting e infraestrutura, o Imortal patina.
Torcida, exijam transparência. A venda de Alysson é um alívio pontual, mas o alerta soa alto: pare de apagar incêndios com gasolina dos jovens. O futuro tricolor depende de decisões corajosas agora.
O que você acha dessa venda? Comente abaixo e compartilhe sua visão. Siga para mais análises exclusivas sobre o Tricolor.









