Quem foi Volmar Santos e por que sua história é tão importante para o Grêmio?

O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense amanheceu de luto com a notícia da morte de Volmar Santos, fundador da Coligay, considerada a primeira torcida organizada LGBTQIAPN+ do Brasil. Aos 77 anos, Volmar faleceu em Passo Fundo, sua cidade natal, onde enfrentava problemas de saúde. Mais do que um torcedor, ele foi um personagem central na história social do clube e do futebol brasileiro.

A perda de Volmar transcende o aspecto esportivo. Sua trajetória representa um marco de coragem, enfrentamento ao preconceito e afirmação da diversidade em um período especialmente hostil: o final da década de 1970, em plena ditadura militar, quando o ambiente dos estádios era ainda mais excludente e intolerante. Ao criar a Coligay, Volmar não apenas torceu pelo Grêmio, mas mudou a forma como o futebol passou a dialogar com a sociedade.

Neste momento em que o Grêmio vive um processo de reconstrução esportiva e institucional, relembrar figuras como Volmar Santos ajuda a compreender que a identidade tricolor sempre foi feita de títulos, sim, mas também de valores, posicionamentos e história.

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Quem foi Volmar Santos e por que sua história é tão importante?

Volmar Santos nasceu em Passo Fundo e construiu uma trajetória multifacetada. Foi radialista, colunista social, comunicador, produtor cultural, cantor, carnavalesco e gestor público, tendo atuado inclusive como secretário municipal de Cultura. No entanto, foi no futebol que seu nome ganhou projeção nacional e internacional.

Em 1977, Volmar fundou a Coligay, uma torcida organizada ligada ao Grêmio que nasceu do desejo de tornar as arquibancadas do antigo Estádio Olímpico mais vibrantes, plurais e representativas. O grupo reunia torcedores LGBTQIAPN+ que, até então, eram invisibilizados ou hostilizados nos estádios.

Do nosso ponto de vista editorial, a grandeza de Volmar está no fato de ele ter ocupado um espaço que ninguém ousava ocupar. Em um tempo em que ser diferente era motivo de repressão, a Coligay surgiu com bandeiras coloridas, músicas, alegria e, sobretudo, resistência.

A Coligay e o enfrentamento ao preconceito no futebol

A primeira aparição da Coligay no Olímpico ocorreu em abril de 1977, em uma partida do Campeonato Gaúcho. A recepção não foi simples. Houve tentativas de agressão, hostilidade e necessidade de intervenção policial. Ainda assim, o grupo permaneceu firme.

Na nossa análise, esse momento representa um divisor de águas no futebol brasileiro. A Coligay mostrou que o estádio também é espaço de cidadania, não apenas de rivalidade esportiva. A torcida passou a ser vista como “pé quente” e esteve presente em momentos simbólicos, como o título gaúcho de 1977, que encerrou um período de hegemonia do rival, e outras conquistas históricas do clube.

Mesmo com existência relativamente curta — encerrada em 1983, quando Volmar precisou retornar a Passo Fundo para cuidar da mãe —, a Coligay deixou um legado permanente. Sua atuação coincidiu com um dos períodos mais vitoriosos do Grêmio, incluindo a consolidação nacional e internacional do clube no início da década de 1980.

Reconhecimento histórico e homenagens do Grêmio

Ao longo das décadas, a história da Coligay ganhou reconhecimento crescente. Livros, reportagens, documentários e produções audiovisuais passaram a tratar o tema com a importância que ele merece. O livro “Coligay, Tricolor e de Todas as Cores”, do jornalista Léo Gerchmann, é um dos principais registros dessa trajetória.

Em 2023, o próprio Grêmio promoveu uma homenagem oficial a Volmar Santos, reconhecendo publicamente sua relevância. Na ocasião, ele recebeu uma camiseta tricolor e uma braçadeira de capitão com as cores da bandeira LGBTQIAPN+, em uma ação ligada ao projeto Clube de Todos.

Do nosso ponto de vista editorial, esse gesto representou mais do que um ato simbólico. Foi o reconhecimento institucional de que Volmar faz parte da história oficial do Grêmio, não apenas como torcedor, mas como alguém que ajudou a moldar a identidade do clube fora das quatro linhas.

O legado que ultrapassa o futebol

A trajetória de Volmar Santos extrapola o universo esportivo. Ele se tornou um símbolo nacional da luta contra o preconceito, sendo citado em debates sobre diversidade, inclusão e direitos civis no esporte. Sua história chegou a outros países e segue inspirando movimentos que defendem arquibancadas mais seguras e acolhedoras.

Nos últimos anos, a Coligay voltou ao centro do debate cultural com o anúncio de uma minissérie e de um longa-metragem, previstos para os próximos anos, reforçando a relevância histórica do grupo e de seu fundador.

Na nossa análise, Volmar representa aquilo que o futebol tem de mais potente: a capacidade de refletir transformações sociais, provocar debates e ampliar vozes que antes eram silenciadas.

Conclusão

A morte de Volmar Santos encerra uma vida, mas não apaga uma história. Fundador da Coligay, ele foi pioneiro, corajoso e visionário, ajudando a transformar o futebol brasileiro em um espaço um pouco mais diverso e humano. Para o Grêmio, Volmar é parte indissociável de sua trajetória, alguém que vestiu o manto tricolor não apenas com paixão, mas com propósito.

Em tempos de mudanças e desafios, recordar Volmar Santos é lembrar que o Grêmio sempre foi feito de títulos, lutas e identidade. Seu legado permanece vivo nas arquibancadas, na memória do clube e na história do futebol brasileiro.

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Magdalena Schneider
Magdalena Schneider

Psicóloga por formação, gremista por destino e editoria-chefe do GP News por vocação. Aqui a paixão pelo Grêmio encontra a análise séria. De olho em cada detalhe do nosso Imortal, dos bastidores da Arena às decisões táticas no CT Luiz Carvalho. Acompanhe comigo a jornada rumo às glórias!

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