O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, muitas vezes referido apenas como Grêmio, transcende a definição de um clube de futebol; trata-se de uma instituição centenária com raízes profundas na cultura e na identidade do Rio Grande do Sul. Fundado em 15 de setembro de 1903, na capital Porto Alegre, o Tricolor consolidou-se como um dos gigantes do cenário esportivo brasileiro e sul-americano.
Suas cores — o azul, o preto e o branco — são mundialmente reconhecidas e vestem uma história marcada por superação e glórias. O clube carrega alcunhas de peso como Imortal Tricolor, Tricolor dos Pampas, Rei de Copas e, mais recentemente, Clube de Todos, reflexos de sua tradição vitoriosa, especialmente em competições eliminatórias. O Grêmio orgulha-se de ter sido o primeiro clube fora da região Sudeste a conquistar títulos de dimensão continental e mundial.
A Fundação e os Primeiros Passos (1903-1953)
A trajetória do Grêmio começou com um episódio curioso e colaborativo. No dia 7 de setembro de 1903, durante uma partida de exibição do Sport Club Rio Grande em Porto Alegre, a bola do jogo murchou. Candido Dias da Silva, um comerciante sorocabano que havia se mudado para a capital gaúcha, prontamente emprestou a bola que trazia consigo. Como agradecimento, recebeu instruções sobre como fundar um clube de futebol. Oito dias depois, em 15 de setembro, 32 homens reuniram-se no Salão Grau, no Centro de Porto Alegre, para fundar o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.
O nome escolhido deriva do latim gremium, significando “seio” ou “abraço”, simbolizando o espírito de coletividade que os fundadores, em sua maioria descendentes de alemães e europeus, desejavam perpetuar.

O clube deu seus primeiros chutes no Estádio da Baixada, inaugurado em 1904 no bairro Moinhos de Vento. Logo em seu primeiro ano, conquistou a Taça Wanderpreiss. A rivalidade que definiria o futebol gaúcho nasceu pouco depois, em 18 de julho de 1909, quando o Grêmio venceu o Sport Club Internacional por impressionantes 10 a 0 no primeiro Grenal da história.
Nas décadas seguintes, o clube firmou sua hegemonia estadual, conquistando o tricampeonato gaúcho nos anos de 1921, 1922 e 1926. Foi nessa época que surgiu a lenda de Eurico Lara, o goleiro eternizado no hino do clube como “craque imortal”.
Embora a profissionalização oficial tenha ocorrido apenas em 1937, o Grêmio já rompia fronteiras, tornando-se em 1949 o primeiro time gaúcho a realizar uma temporada no exterior, na América Central. A integração racial no elenco também é parte importante dessa história: embora Tesourinha, contratado em 1952, tenha sido o primeiro negro de destaque na era profissional, registros apontam que Antunes já defendia as cores do clube em 1912.
A Era Olímpico e o Heptacampeonato (1954-1980)
Um novo capítulo de grandiosidade iniciou-se em 19 de setembro de 1954, com a inauguração do Estádio Olímpico, que mais tarde, após sua conclusão em 1980, ganharia a alcunha de “Monumental”.

A nova casa trouxe sorte e competência. Entre 1962 e 1968, o Grêmio conquistou o heptacampeonato gaúcho, a maior sequência de títulos estaduais de sua história, sob a liderança de ídolos como Airton Pavilhão.
O ano de 1970 marcou o clube no cenário global de uma maneira diferente: o lateral Everaldo foi convocado para a Seleção Brasileira e tornou-se o primeiro atleta atuando por um clube gaúcho a sagrar-se Campeão do Mundo. Em sua homenagem, o Grêmio adicionou uma estrela dourada à sua bandeira. Após um breve jejum, o clube reconquistou o estado em 1977, com um gol de André Catimba sobre o rival, prenunciando a década de ouro que estava por vir.
A Década de Ouro e a Conquista do Mundo (1981-1990)
Os anos 80 representam o apogeu do Grêmio. Em 1981, o clube levantou seu primeiro troféu do Campeonato Brasileiro, vencendo o São Paulo no Morumbi com um gol histórico de Baltazar.
Contudo, foi 1983 que se consolidou como o ano inesquecível. O Grêmio venceu sua primeira Copa Libertadores da América, superando o Peñarol na final. A glória máxima veio em dezembro daquele ano, no Japão. Diante do Hamburgo, campeão europeu, o Grêmio venceu por 2 a 1 na prorrogação e tornou-se Campeão Mundial. O herói da partida foi Renato Portaluppi, que marcou os dois gols e se eternizou como o maior ídolo da história do clube.

A década seguiu vitoriosa com o hexacampeonato gaúcho (1985-1990), a conquista da primeira edição da Copa do Brasil em 1989 — de forma invicta — e o título da primeira Supercopa do Brasil em 1990.
A Era Felipão e o Bicampeonato da América (1991-2002)
Após enfrentar o primeiro rebaixamento de sua história em 1991, o Grêmio ressurgiu com força total sob o comando de Luiz Felipe Scolari, o Felipão.
A década de 90 foi recheada de taças. O clube venceu a Copa do Brasil em 1994 e 1997, e o Campeonato Brasileiro em 1996. Mas o destaque foi a reconquista da América em 1995. Com um time guerreiro liderado por Danrlei, Jardel e Paulo Nunes, o Grêmio venceu o Atlético Nacional e sagrou-se bicampeão da Libertadores. Ainda conquistaria a Recopa Sul-Americana em 1996.

Em 2001, sob nova gestão, o clube conquistou o tetracampeonato da Copa do Brasil. No entanto, crises financeiras decorrentes de parcerias mal-sucedidas começaram a assombrar os bastidores do Tricolor.
A Batalha dos Aflitos e o Renascimento (2003-2011)
A crise culminou em um novo rebaixamento em 2004. O ano de 2005, porém, reservava um dos episódios mais épicos da história do futebol mundial: a Batalha dos Aflitos.

No jogo decisivo para o retorno à Série A, contra o Náutico, no Recife, o Grêmio teve quatro jogadores expulsos e viu o adversário desperdiçar dois pênaltis. Mesmo com apenas sete homens em campo, o garoto Anderson marcou o gol da vitória, garantindo o título da Série B e o acesso heroico.
De volta à elite, o Grêmio foi vice-campeão da Libertadores em 2007 e vice-campeão brasileiro em 2008.
A Arena e o Reencontro com as Glórias (2012-Presente)

Em dezembro de 2012, o clube inaugurou a moderna Arena do Grêmio, despedindo-se do Olímpico. Após alguns anos de adaptação, o clube reencontrou o caminho dos grandes títulos em 2016, novamente sob a batuta de Renato Portaluppi, agora como técnico.
O Grêmio encerrou um jejum de 15 anos ao vencer a Copa do Brasil de 2016, tornando-se pentacampeão e reafirmando sua fama de Rei de Copas. No ano seguinte, em 2017, conquistou o Tri da Libertadores, vencendo o Lanús na Argentina, com destaque para a defesa milagrosa de Marcelo Grohe na semifinal e o futebol de Luan, eleito Rei da América. Ainda em 2017, foi vice-campeão mundial diante do Real Madrid de Cristiano Ronaldo.
Recentemente, o clube enfrentou um terceiro rebaixamento em 2021, mas retornou prontamente. Em 2023, sob a gestão de Alberto Guerra, o Grêmio impactou o mercado ao contratar Luis Suárez, estrela do futebol mundial, que conduziu o time ao vice-campeonato brasileiro. Em 2024, o clube, assim como todo o estado, enfrentou as severas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, demonstrando mais uma vez sua resiliência ao atuar longe de casa e auxiliar na reconstrução da comunidade.
Galeria de Títulos

O Grêmio detém 94 títulos oficiais, destacando-se como o maior vencedor de competições nacionais e internacionais fora do eixo Rio-São Paulo.
Mundiais e Continentais Copa Intercontinental (Mundial): 1 (1983) Copa Libertadores da América: 3 (1983, 1995, 2017) Recopa Sul-Americana: 2 (1996, 2018)
Nacionais Campeonato Brasileiro: 2 (1981, 1996) Copa do Brasil: 5 (1989, 1994, 1997, 2001, 2016) Supercopa do Brasil: 1 (1990) Campeonato Brasileiro – Série B: 1 (2005)
Estaduais Campeonato Gaúcho: 43 conquistas (Sendo a última o Hexacampeonato em 2024)
Identidade, Símbolos e Torcida
A torcida gremista, estimada em mais de oito milhões de apaixonados, é uma das maiores e mais fiéis do país. O clube mantém um quadro social robusto, que chegou a 100 mil adimplentes em 2023.
O mascote oficial é o Mosqueteiro, criado em 1946 para simbolizar a bravura e a união do time. Recentemente, foi criado o mascote Flecha Negra, em homenagem ao ídolo Tarciso. O hino, uma obra-prima de Lupicínio Rodrigues, captura a alma do torcedor com o verso inesquecível: “Com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.
Socialmente consciente, o Grêmio desenvolve o “Projeto Clube de Todos”, combatendo ativamente o racismo e a homofobia, e resgata a memória da Coligay, torcida histórica que marcou época durante a ditadura.
A Rivalidade Grenal
Não se pode falar do Grêmio sem mencionar o Sport Club Internacional. O clássico Grenal é considerado uma das maiores rivalidades do planeta. O termo foi cunhado em 1926 e o confronto divide o estado ao meio. A revista inglesa FourFourTwo classificou o embate como o maior clássico do Brasil e o oitavo maior do mundo, uma prova da intensidade que envolve o encontro desses dois gigantes.










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