A chegada de Alex Leitão como CEO do Grêmio não é apenas uma mudança administrativa. Ela carrega um histórico recente de conflito de ideias, choque de modelos de gestão e ruptura política no futebol brasileiro. Ao decidir falar publicamente sobre sua saída do Athletico-PR, o executivo lança luz sobre um tema sensível: até onde vai o poder presidencial em clubes que buscam profissionalização real.
Leitão foi contratado pelo Athletico em janeiro de 2024 e deixou o clube apenas seis meses depois. Pouco tempo, mas suficiente para expor uma divergência estrutural com Mario Celso Petraglia, presidente histórico do Furacão. Segundo o próprio dirigente, não houve briga pessoal, e sim um desalinhamento profundo sobre como gerir um clube moderno.
“Quando as diferenças são capitais, importantes, chega um ponto em que a decisão é sair”, afirmou Leitão, ao explicar a ruptura.
A declaração é direta e revela um limite claro: não se tratava de ajustes operacionais, mas de visões incompatíveis sobre governança, estratégia e relação com o torcedor.
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Modelo de gestão focado no torcedor gerou atritos internos
Durante sua breve passagem por Curitiba, Alexandre Leitão adotou medidas que romperam com práticas tradicionais do Athletico. A principal delas foi a revisão da política de ingressos, com valores mais acessíveis e foco em aumento de público. A resposta da torcida foi imediata e positiva.
Além disso, o executivo idealizou ações de engajamento, como a distribuição de camisas oficiais a sócios mais assíduos e projetos para reforçar a identidade visual da Arena da Baixada. Parte dessas iniciativas, no entanto, não avançou internamente, o que evidenciou o conflito de comando.
Esse ponto é central para entender a crítica implícita no discurso de Leitão: não basta ter estrutura e dinheiro se a gestão permanece centralizada e pouco aberta a novos modelos.
O que muda no Grêmio com Alex Leitão
No Grêmio, o cenário é outro. A nova gestão aposta em um CEO com experiência internacional e discurso alinhado à profissionalização, transparência e aproximação com o torcedor. Leitão chega após passagem pelo Neom SC, da Arábia Saudita, onde atuou entre novembro de 2024 e junho de 2025.
A crítica que fica, olhando o contexto, é clara: clubes que resistem à modernização perdem quadros qualificados. O Athletico optou por manter seu modelo. O Grêmio, pressionado por desafios financeiros e esportivos, escolheu arriscar.
Resta saber se, em Porto Alegre, as ideias de Alexandre Leitão terão espaço para sair do papel — ou se o futebol brasileiro seguirá testando os limites entre poder político e gestão profissional.
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