A nova direção do Grêmio iniciou seus primeiros dias de gestão com uma série de movimentos importantes para reorganizar as finanças e destravar receitas. A venda de Alysson ao Aston Villa, por valores considerados altos para o mercado, é um dos primeiros passos desse processo. Ao mesmo tempo, os dirigentes aproveitaram as primeiras 48 horas de trabalho para avançar em outras frentes que podem gerar caixa a curto prazo.
O CEO Alex Leitão, apresentado oficialmente na quarta-feira, encontrou um cenário complexo. O clube está sem patrocinador máster, sem naming rights para a Arena e sem uma empresa responsável pela operação de bilheteria. Segundo ele, essas lacunas precisam ser preenchidas rapidamente para aliviar a pressão financeira.
Fluxo de caixa é prioridade da nova direção do Grêmio
Leitão foi direto ao descrever a situação: o Grêmio vive um momento crítico. O objetivo imediato é organizar o fluxo de caixa para quitar dívidas urgentes e evitar que novos entraves prejudiquem o clube.
— Em menos de 48 horas, o foco total é no fluxo de caixa. Precisamos priorizar dívidas de curto prazo que possam machucar o clube — afirmou o CEO.
Ele acrescentou que o processo de recuperação será gradual, comparando o atual momento a um paciente que “sai do coma para respirar por aparelhos”.
Patrocínio máster e fundo de investimentos
Nos últimos dias da gestão anterior, o ex-presidente Alberto Guerra recebeu uma proposta de R$ 53 milhões anuais para o patrocínio máster. O valor foi levado à nova direção, que confirma estar analisando diferentes ofertas, mas ainda não definiu qual será aceita.
Odorico Roman também confirmou que há um fundo de investimentos estruturado — o FIDC — que poderá ser utilizado como alternativa para captar recursos a juros menores. Esse dinheiro deve reforçar o caixa e ajudar a enfrentar compromissos imediatos.
Transfer ban preocupa a diretoria
Entre as dívidas consideradas mais urgentes estão as que podem gerar novos transfer bans. O clube ainda deve cerca de R$ 7 milhões ao Granada pela compra de Arezo, valor que motivou a punição aplicada pela FIFA em novembro.
Outra pendência, de 150 mil euros com o River Plate-URU, também preocupa. O pagamento deveria ter acontecido após o empréstimo de Arezo ao Peñarol, algo que não foi cumprido pela gestão anterior.
— A primeira reunião do dia é sempre com o financeiro. Não podemos desviar o foco — enfatizou Leitão.
Finanças e futebol precisam andar juntos
Mesmo com a necessidade de cortar gastos, o CEO destacou que a busca por bons resultados dentro de campo não pode parar. A queda de desempenho esportivo afeta diretamente receitas como direitos de transmissão.
— A má performance é prejudicial, inclusive de forma direta. Boa parte da receita de TV depende de resultados — explicou.
Por isso, o trabalho de reorganização financeira ocorre em alinhamento com o departamento de futebol comandado por Antonio Dutra Júnior e Paulo Pelaipe.
Quem é Alex Leitão, novo CEO do Grêmio
Alexandre Barreira Leitão tem trajetória extensa no mercado executivo e no futebol. Formado em Administração e com especializações nos Estados Unidos, passou duas décadas atuando em grandes empresas e projetos ligados ao esporte.
No futebol, foi CEO do Orlando City entre 2015 e 2021, depois assumiu o comando do Athletico-PR em 2024 e mais recentemente trabalhou no Neom SC, da Arábia Saudita, onde conquistou o acesso à primeira divisão.
Agora, tem o maior desafio da carreira: liderar a reconstrução financeira do Grêmio.









